Nos ônibus, quando não tem assento, ficamos lá em pé esperando que alguém chegue no seu lugar final para que possamos sentar. Mas quando não tem e temos que ficar em pé ao lado de duas pessoas, a conversa chega: "está calor, não é?" "sim, está... isso me lembra o que houve ontem no Rio de Janeiro, quando houve a queda da passarela e os bombeiros, com aquelas roupas pesadas, estavam enfrentando o calor enquanto tentavam salvar vidas" "ah, minha filha, isso é verdade, fiquei tão triste..." e assim a conversa rola com diversos assuntos, falam da vida alheia, falam da própria vida, mas no final, quando chega na parada certa, ninguém sabe o nome de ninguém, só da boa conversa que teve com um estranho e que fez esquecer a demora pra chegar no em casa, no trabalho.
Nos bancos, a demora pra que seja chamado é assunto chave: "mas que demora!" "essa fila não vai andar, não?' "ISSO É UM ABSURDO!" e uma pessoa se vira pra outra e começa descrever a injustiça desse país com os trabalhadores que vivem ganhando a vida pra dar comida aos filhos; mães que conversam com jovens sobre seus filhos mal-criados; jovens que conversam com jovens sobre o resultado do vestibular que demora pra chegar; idosos conversam com jovens aconselhando com as mais dignas palavras; adultos conversam com idosos perguntando porque há tanto jovens preferido as drogas do que a vida; e gente conversando com muita gente ao mesmo tempo, mas aí a vez chega e vão embora com os conselhos, promessas, discussões, conversas boas.
Nunca paramos pra pensar porque isso acontece no nosso dia a dia e não perguntamos o nome daquele alguém que nos tirou a atenção por o ônibus e fila está demorando tanto. Também como não indagamos sobre o fato de termos vizinhos tão diferente da nossa personalidade, só vivemos e aceitamos, como sempre. O fato é que, acredito eu, que há Alguém que coloque barreiras na nossa vida para que possamos alcançá-la de um modo que nunca pensamos em fazer. O fato é que, também, vizinhos diferentes são a vida. Sim, a vida. Dizem que a vida é difícil para os que querem ser feliz. Se eles são a vida, e são difíceis, é digno falar que eles são as barreiras, que devemos alcançar e entender porque elas estão ali. Os bons vizinhos são aqueles que são diferentes de nós. Os ranzinzas, os barulhentos, os simpáticos, os religiosos ao extremo; na fila de banco, as conversas são tão diferente das outras, e às vezes são iguais, mas nunca igualamos uma a outra porque são pessoas diferentes, sotaque, mania e jeito de conversar diferente. Os conselhos dos idosos é o que mais atrai atenção de quem ouve calado, escutando e olhando pra alguém de mais idade que parece que viveu a vida sabendo como ela era desde que nasceu.
Filas de bancos e ônibus são intensas, sem hora pra acabar. Nós temos essa concepção de tempo quando não tem alguma pessoa bondosa para puxar assunto, e quando chega alguém vimos que o tempo desaparece quando a conversa flui. São as famosas fila de espera que nos desatinam e faz com que conversamos e desabafamos com pessoas tão diferentes de nós, mas com "lábia" tão parecida, vidas difusas, modo de visão complexo, mas sabemos que essas filas de espera e os vizinhos são a vida, aquela a qual devemos esperar com cautela para que alguém se aproxime, nos prenda a atenção e nos faça esquecer do tempo. Filas de espera. Espera.
(Texto feito por Nathália B.)
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